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Pés de coelhos, morangos e bagaço de cana
Andrea Guedes e Rodolfo Lobato da Costa
28/12/2007
PEJR
Transformar visões em realidade, perceber os desafios como oportunidades e descobrir na diferença a identidade são algumas noções trabalhadas pelo Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR), que, pela parceria entre o Instituto Souza Cruz e o Cedejor, formou, este ano, 44 jovens em três territórios do Sul do Brasil.

Sozinhos, são apenas jovens egressos. Coletivamente, são expectativas, sonhos e apostas que envolvem educadores, entidades parceiras, comunidades e familiares.

No final de dois anos de formação no PEJR, o jovem apresenta um projeto, construído e amadurecido ao longo do período: o Projeto do Jovem Empreendedor Rural. Além de orientar a vida do educando, o projeto contribui para o desenvolvimento do território em que ele está inserido. Isso porque o jovem, desde o início, é estimulado a pensar em relações sociais sustentáveis, que beneficiem não apenas sua família, como também o território e o meio ambiente.

Cunicultura

Se um pé de coelho dá sorte, imaginem 2000
Abrangendo as cidades de Rebouças, Irati, Prudentópolis, Texeira Soaes e Inácio Martins, o Cedejor Cento-Sul do Paraná formou sua segunda turma em 2007. Diante de uma banca de especialistas selecionados em cada área técnica em particular, os jovens apresentaram seus projetos envolvendo ovinocultura, apicultura, bovinocultura de leite e morango orgânico, entre outros.

Everton dos Anjos durante a formatura (Foto: Acervo do Instituto Souza Cruz)
Entre os formandos estava Everton dos Anjos. Feliz com a apresentação de seu projeto sobre cunicultura (criação de coelhos), quase não lembrava da época em que, desiludido com um alqueire e meio de terra, deixou a cidade de Teixeira Soares em busca de um emprego em Ponta Grossa (PR). Quando foi comunicado da sua aprovação para integrar a turma 2 do Cedejor, resolveu apostar e voltou para o campo.

“Achei que fosse só um cursinho. Agora consigo ver que num alqueire e meio consigo me manter. Para feijão e milho essa área é pouca. Mas agora estou voltado para a criação de coelhos.”

Morangos orgânicos

André Luís Glashorester e seu projeto de morangos orgânicos (Foto: Acervo do Cedejor)
Em outubro, o Cedejor Vale do Rio Pardo formou 17 novos Agentes de Desenvolvimento Rural. As apresentações dos projetos inovaram e passaram a ser itinerantes nos municípios dos formandos. Estiveram presentes representantes de entidades locais, familiares e amigos.

O projeto, em alguns casos, passa a ser implementado ao final de dois anos de estudo. Em outros já começa durante a formação. Foi o caso do jovem André Luís Glashorester, de 18 anos. Na sua propriedade, em Candelária, a família se dedicava ao plantio de verduras, milho e outros produtos. Ao entrar para o Cedejor, André vislumbrou, ainda no início de sua formação, novas perspectivas para diversificar a produção.

“Comecei a pensar no meu projeto já na segunda alternância, quando fizemos uma visita à propriedade de Paulo Miguel (sócio-fundador do Cedejor). Lá, vi que ele produzia morangos orgânicos e conseguia vender vendia tudo na comunidade, que fica em Albardão”, conta André.

Ao perceber que na sua comunidade não havia nenhum produtor de morangos orgânicos, o jovem começou a pesquisar sobre a cultura. O segundo passo foi buscar informações sobre o Pronaf-jovem, que o deixaria mais próximo do seu objetivo. Em abril, André conseguiu o crédito e partiu para a ação.

Papel com bagaço de cana

Cleimar Schmidt, Michele Dutra Nack, Rosani Eller e Zenaide Schlickmann na apresentação de projeto (Foto: Acervo do Instituto Souza Cruz)
Entre os 22 aprendizes da turma 2 do Cedejor Encostas da Serra Geral, que concluíram a formação em novembro, quatro jovens decidiram fazer, além de seus próprios projetos, um empreendimento coletivo: produção artesanal de papel com bagaço de cana-de-açúcar.

Cleimar Schmidt, Michele Dutra Nack, Rosani Eller e Zenaide Schlickmann, do município de Santa Rosa de Lima, identificaram no artesanato uma oportunidade. Segundo elas, as três agroindústrias do município geram, mensalmente, 2,5 toneladas de bagaço de cana, destinadas para compostagem e cobertura do solo.

Com uma tecnologia similar a da reciclagem, as jovens pretendem produzir convites, cartões de visita, cadernos, álbuns de fotografia, entre outros itens. “Com cerca de 50 quilos de massa de bagaço de cana, é possível confeccionar aproximadamente mil folhas”, explica Zenaide.

Um dos primeiros êxitos do projeto foi a conquista de um espaço ocioso da prefeitura, oferecido pelo prefeito de Santa Rosa de Lima, Celso Heidemann.

Desenvolvimento territorial sustentável. Esse termo, em 2007, passou a ser praticado em 6 municípios do Vale do Rio Pardo (RS), 4 municípios das Encostas da Serra Geral (SC) e 5 municípios do Centro-Sul do Paraná.
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