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Avanços para a Educação no Campo
Andrea Guedes
16/05/2008
Acervo do Instituto Souza Cruz
Promover um ensino mais igualitário, que supere as desigualdades existentes entre a cidade e o mundo rural, é um dos objetivos do ministro da Educação, Fernando Haddad. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), tem dado passos significativos. Um deles foi a criação da Comissão Nacional de Educação no Campo, cuja missão é assessorar o MEC na formulação de políticas públicas para a educação no campo.

Coordenadora geral da Educação do Campo da Secad, a pernambucana Sara Lima, de 38 anos, é a secretária-executiva da Comissão. Segundo ela, nos dias 1 e 2 de julho, o colegiado se reunirá para eleger as prioridades e a agenda de trabalho para este ano.

Em entrevista exclusiva ao Instituto Souza Cruz, Sara adianta algumas das principais demandas da educação no campo e lembra que a questão tem sido pauta do governo desde 2003.

Como é constituída a Comissão Nacional de Educação no Campo?

São 18 integrantes no total. A comissão abrange dez representantes dos ministérios da Educação e do Desenvolvimento Agrário (MDA), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed); e oito integrantes de movimentos sociais de abrangência nacional: Centros Familiares de Formação por Alternância (Ceffas), Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento das Mulheres Campesinas (MMC), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e Rede Educacional do Semi-Árido Brasileiro (Resab).

Acervfo do Instituto Souza Cruz
Quais são as expectativas e os principais desafios dessa Comissão?

Essa comissão tem como objetivo assessorar o ministro da Educação, Fernando Haddad, na formulação de políticas públicas para a educação do campo. Nos dias 1 e 2 de julho, teremos uma reunião para fechar a agenda de trabalho da comissão, e definir as prioridades.


Na sua opinião, quais são as principais demandas da educação do campo?

Uma delas é que a educação do campo se torne política pública. As escolas deverão se apropriar desta política, pois elas têm um papel importante para o camponês, para o desenvolvimento sustentável do meio rural, para a agricultura familiar. Levar essa política a estados e municípios será um desafio. Outra demanda é produzir propostas pedagógicas que tratem das especificidades do campo. A construção do Plano Nacional de Educação do Campo também será foco da agenda de trabalho da Comissão.


Como a senhora vê as organizações e os movimentos sociais que já trabalham com educação do campo?

Historicamente, a educação do campo foi pautada pelos movimentos sociais e sindicatos do campo. Eles tiveram papel fundamental para assegurar o debate e a efetivação de políticas públicas para a educação no campo. Logo, a participação efetiva destas organizações junto ao governo vem fortalecendo a educação do campo nos seus reais valores.


Acervo do Instituto Souza Cruz
Como e quando a educação do campo entra na pauta de ações do MEC?

É importante lembrar que a educação do campo entrou como pauta do governo em 2003, quando o MEC criou o Grupo Permanente de Trabalho (GPT) de Educação do Campo para subsidiar o Governo Federal na formulação de uma política de educação no campo e na implementação das diretrizes para escolas do ensino básico da área rural. Este grupo estava sempre em diálogo com a sociedade civil. Em outubro do mesmo ano, foi realizado o I Seminário de Educação no Campo, do qual saíram subsídios para uma Política Nacional de Educação do Campo. Então, esta comissão vem reconhecer essa trajetória do GPT e efetivar a participação da sociedade civil e do governo.


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